Se você jogou Assassin’s Creed em 2007 e voltou agora em 2026 com o Black Flag Resynced, é quase como se estivesse falando de duas franquias diferentes. E é exatamente por isso que ranquear a série inteira dá tanta briga.

Resposta curta pra quem só quer o veredito: Assassin’s Creed IV: Black Flag é o melhor jogo da franquia, e o Assassin’s Creed original de 2007 é o que mais envelheceu mal. Entre os dois extremos, tem muito jogo bom sendo injustiçado e muito jogo superestimado. Abaixo, o meu ranking dos principais Assassin’s Creed, do pior ao melhor.

Assassin’s Creed (Imagem: Ubisoft)

14. Assassin’s Creed (2007)

Histórico, revolucionário para a época e uma máquina de repetição. O primeiro AC estabeleceu tudo: o parkour, a Lâmina Oculta, a Animus, o Salto de Fé. Só que a estrutura é escalar torre, bater carteira, escutar conversa, interrogar, matar, fugir. Nove vezes. Sem variação.

Altaïr passa 80% da campanha sendo um babaca arrogante e as cidades da Terra Santa são lindas de longe e vazias de perto. Respeite o pioneiro, mas não jogue por nostalgia, você vai se arrepender.

Assassin's Creed Rogue
Assassin’s Creed Rogue (Imagem: Ubisoft).

13. Assassin’s Creed Rogue (2014)

A ideia era genial: jogar como um Templário caçando Assassinos, invertendo a perspectiva da série. A execução foi um reaproveitamento quase literal dos assets de Black Flag, lançado no fim de vida do PS3 e do Xbox 360 enquanto o Unity roubava toda a atenção.

Shay Cormac merecia um jogo de verdade. O que ele ganhou foi uma DLC com preço alto com cara de jogo completo.

Assassin’s Creed Syndicate
Assassin’s Creed Syndicate (Imagem – Ubisoft).

12. Assassin’s Creed Syndicate (2015)

Londres vitoriana, dois irmãos jogáveis, gancho-corda que transforma o mapa num parque de diversões vertical. No papel, ótimo. Na prática, o AC mais esquecível da franquia.

Nada nele é ruim, é só que nada nele é memorável. Jacob e Evie são simpáticos, a cidade é competente, as missões são funcionais e você esquece tudo uma semana depois de zerar. É o Assassin’s Creed em piloto automático.

Assassin’s Creed III (Imagem: Ubisoft)

11. Assassin’s Creed III (2012)

Ambicioso e mal resolvido. A Revolução Americana tinha potencial gigantesco, e o AC III entrega coisas incríveis: a Fronteira com neve dinâmica, as primeiras batalhas navais da série (que depois virariam Black Flag) e o prólogo com o Haytham, provavelmente a melhor reviravolta da franquia inteira.

O problema é o Connor: sisudo, sem carisma, preso numa história que passa mais tempo com tutorial e caça a animais do que com assassinatos. As primeiras 6 horas estão entre as mais chatas que a Ubisoft já produziu.

Assassin's Creed Valhalla
Assassin’s Creed Valhalla (Créditos Imagem – Ubisoft).

10. Assassin’s Creed Valhalla (2020)

O AC mais vendido da história e, ao mesmo tempo, o mais cansativo. Eivor é ótimo, a Inglaterra saxã é bonita e os raides têm um peso brutal satisfatório. Mas o jogo é longo demais, e não “longo” no sentido de conteúdo generoso.

A campanha se divide em arcos regionais desconectados que se repetem por 60, 80, 100 horas. Você faz aliança com um jarl, mata um traidor, repete. Lá pela vigésima hora o jogo já disse tudo o que tinha para dizer, e ainda tem metade pela frente.

Assassin's Creed Mirage
Assassin’s Creed Mirage (Créditos Imagem – Ubisoft).

9. Assassin’s Creed Mirage (2023)

A tentativa consciente de voltar às origens: mapa menor, stealth urbano, Bagdá do século IX, campanha de 20 horas. Depois da maratona de Valhalla, jogar Mirage é um alívio.

O problema é que ele soa mais como homenagem do que como jogo com identidade própria. Basim é frio, o combate é datado e a história termina antes de te dar um motivo forte pra se importar. É o AC mais “pequeno” da lista, e isso é elogio e crítica ao mesmo tempo.

Assassin's Creed Revelations
Assassin’s Creed Revelations (Créditos Imagem – Ubisoft).

8. Assassin’s Creed Revelations (2011)

A despedida do Ezio, e uma despedida digna. Constantinopla é gostosa de explorar, o gancho dá agilidade ao parkour e o encerramento das histórias de Ezio e Altaïr emociona de verdade.

O que puxa pra baixo é a gordura: bombas customizáveis que ninguém usava, defesa de território em formato de tower defense (uma das piores ideias da série) e a sensação de que a Ubisoft estava esticando o Ezio até onde dava.

Assassin’s Creed: Shadows (Imagem: Ubisoft).

7. Assassin’s Creed Shadows (2025)

O Japão feudal que os fãs pediram por quinze anos finalmente chegou, e o resultado é sólido sem ser revolucionário. A grande sacada é a dupla de protagonistas: Naoe é stealth puro, ágil e frágil; Yasuke é um tanque que resolve tudo na porrada. São duas experiências diferentes no mesmo mapa, e isso funciona.

As estações mudando o mundo são um espetáculo, o parkour melhorou e o Japão está entre os cenários mais atmosféricos da franquia. Perde pontos pelo ritmo arrastado no meio da campanha e pelo inchaço herdado do modelo RPG. Vale lembrar que o jogo já entrou na fase final de suporte, a Ubisoft virou a chave para o que vem depois.

Assassin's Creed: Odyssey
Assassin’s Creed: Odyssey (Créditos Imagem – Ubisoft).

6. Assassin’s Creed Odyssey (2018)

Enorme, bonito e cheio de coisa pra fazer, e aí mora o problema. A Grécia Antiga é um espetáculo, Kassandra é carismática demais (jogue com ela, não com o Alexios) e o sistema de mercenários caçando o jogador é ótimo.

Mas é aqui que a série engole a própria cauda: virou um RPG de ação genérico com ponto de interrogação até no horizonte, e a fantasia de assassino praticamente sumiu. Divertido? Muito. Um Assassin’s Creed? Discutível.

Assassin's Creed Unity - Ubisoft
Assassin’s Creed Unity – Créditos da imagem: Ubisoft

5. Assassin’s Creed Unity (2014)

Sim, quinto lugar. Unity lançou quebrado, virou meme de rosto sem textura e queimou a reputação da franquia por anos. Só que os patches consertaram o jogo, e o que sobrou foi o AC com o melhor parkour já feito, a melhor recriação urbana da série (Paris na Revolução Francesa, com interiores de verdade) e as missões de assassinato mais bem desenhadas desde o original, aquelas com múltiplas rotas e alvos que você precisa realmente caçar.

Arno é um protagonista sem sal, o co-op envelheceu mal e a história é confusa. Mas puramente como simulador de assassino, nenhum outro AC chegou perto.

Assassin's Creed Origins
Assassin’s Creed Origins (Créditos Imagem – Ubisoft).

4. Assassin’s Creed Origins (2017)

Depois do desastre do Unity e da mornidão do Syndicate, a Ubisoft sumiu por dois anos e voltou com um reboot completo. Origins é o AC que virou RPG, e virou bem: o Egito é lindo, Bayek tem peso emocional real e a história de vingança que se transforma na fundação da Irmandade é a melhor justificativa narrativa que a série já deu pra si mesma.

O combate ainda estava se achando, mas o mundo aberto é dos mais bem construídos da Ubisoft. E o Discovery Tour foi uma ideia genuinamente boa.

Assassin’s Creed: Brotherhood (Imagem: Ubisoft)

3. Assassin’s Creed: Brotherhood (2010)

Tecnicamente uma expansão do AC II, na prática um jogo mais avançado. Roma inteira como playground, o sistema de recrutar assassinos (até hoje a mecânica mais satisfatória da série) e um Ezio mais maduro e mais raivoso depois do que aconteceu em Monteriggioni.

Assassin’s Creed II (Imagem: Ubisoft)

2. Assassin’s Creed II (2009)

O jogo que salvou a franquia. Pega tudo que era esqueleto no primeiro AC e coloca mais: cidades vivas, missões variadas, economia, tumbas, e o melhor protagonista que a série já teve. Ezio Auditore começa como um moleque metido de Florença e termina como uma lenda, e a gente acompanha cada degrau dessa transformação.

Veneza à noite continua sendo uma das ambientações mais bonitas já feitas em videogame. Se você só vai jogar um AC clássico na vida, é esse.

Assassin's Creed 4 Black Flag
Assassin’s Creed 4 Black Flag – (Créditos Imagem – Ubisoft).

1. Assassin’s Creed IV: Black Flag (2013)

Não tem muito o que discutir. Black Flag é o jogo em que a Ubisoft acidentalmente fez o melhor game de pirata de todos os tempos enquanto tentava fazer um Assassin’s Creed. Edward Kenway não quer nem saber de Credo nem de Templários, ele quer ouro, e essa motivação suja e honesta faz o roteiro funcionar melhor do que qualquer discurso sobre “livre-arbítrio”.

O combate naval, a exploração do Caribe, as shanties, o loop de “vejo uma ilha ali longe e posso simplesmente ir até ela”. Treze anos depois, o pacote continua redondo. Tanto que a Ubisoft resolveu remakear justamente ele: o Black Flag Resynced saiu em 9 de julho de 2026 no PS5, Xbox Series X|S e PC, reconstruído na Anvil atual, com arcos expandidos para o Barba Negra e para o Stede Bonnet, modo foto e combate mais exigente.