Jono, jogo grátis no Steam, tem uma regra para lá de bizarra: só uma pessoa no mundo inteiro joga por vez. Cada turno dura um minuto, enquanto o resto da galera assiste, palpita no chat e espera sua vez na fila.

O jogo é obra de Tuomas Erikoinen, artista finlandês que trabalhou no Angry Birds original e hoje toca sozinho o estúdio Part Time Monkey. O título se apresenta na própria página da Steam como o primeiro plataforma “massivamente singleplayer” do mundo.

Página de Jono no Steam

Jono
Jono (Imagem: Part Time Monkey)

Como funciona Jono

À primeira vista, Jono parece só mais um plataforma 2D em pixel art, com visual minimalista, espinhos por todo lado e portais para atravessar. O pulo do gato está nas regras de acesso: ao abrir o jogo, você cai direto numa transmissão ao vivo de quem está no controle naquele momento e pode entrar numa fila global.

Quando chega a sua vez, o personagem é seu por um minuto.O turno também acaba se você morrer cinco vezes, o que acontecer primeiro. Aí o controle passa para o próximo da fila, que continua exatamente do ponto onde você parou.

E aqui está o detalhe que transforma tudo numa espécie de corrida de revezamento planetária: o progresso é permanente e compartilhado. Cada sala superada fica marcada como concluída para todo mundo, para sempre. Morrer só reinicia a sala atual, e o jogo nunca anda para trás.

Por que alguém criaria um jogo assim? A resposta passa pela IA

Erikoinen explicou que a ideia nasceu de uma preocupação comum entre devs independentes. Na visão dele, a era da IA fez jogos pequenos parecerem fáceis demais de produzir. Para se destacar, seria preciso algo realmente único, e foi daí que surgiu a fila.

O desenvolvedor lembra que já houve vários casos de joguinhos que viralizaram da noite para o dia e ganharam clones na Steam em questão de horas, às vezes a partir de um simples vídeo de bastidores. Para ele, um diferencial difícil de replicar, como o de Jono, pode ser parte da resposta para esse problema.