GTA 6 (Imagem: Rockstar Games).

Se você entrou em qualquer rede social nos últimos dias, provavelmente já topou com clipes de gameplay de GTA 6 rodando soltos por aí: o Jason arremessando uma bola de basquete na frente de casa, sequências de direção, briga com NPC, aquele nível de seis estrelas que todo mundo queria ver.

E aí bateu a dúvida: isso é real? E se for real, é o jogo de agora ou uma versão velha? Bora destrinchar, porque a treta é maior do que parece.

O vazamento é real mesmo?

Pelo visto, sim. A prova mais forte não veio de nenhum “insider”, veio da própria Rockstar (ou melhor, da Take-Two). Assim que os vídeos começaram a circular, a editora saiu distribuindo pedidos de remoção, derrubando post atrás de post. E aqui vale a regra de ouro: ninguém gasta advogado em cima de vídeo feito com IA. Se a Take-Two está caçando o conteúdo, é porque o conteúdo é genuíno.

O grupo que assumiu a autoria se chama Cyberleek, e voltou a atacar com mais clipes, incluindo uma cutscene do Jason dirigindo na contramão e batendo numa van de entrega. Ou seja: não parou no basquete.

Esse gameplay é de 2023?

Aqui é onde a coisa fica interessante. Rolou uma investigação bem raiz no GTA Forums em cima do arquivo do vídeo do basquete, e a galera achou uma pista técnica: o clipe foi codificado com o FFmpeg 6.1 (a stringzinha Lavc60.31.102/Lavf60.16.100, pra quem curte o detalhe), que é uma versão lançada em novembro de 2023.

Traduzindo para o português de quem não é dev: isso quer dizer que o arquivo, nesse formato, não pode ter sido criado antes de novembro de 2023. É um limite mínimo. Só que a data de codificação não é a data da gravação. O build do FFmpeg ser de fim de 2023 só prova que um software antigo tocou no arquivo.

Você pode pegar uma gravação recentíssima e comprimir com um encoder velho. E o inverso também vale: o material bruto pode ser até mais antigo que novembro de 2023, porque a codificação apagou os metadados originais que mostrariam a data real da gravação.

O Cyberleek e o memecoin

Agora a cereja podre do bolo. O Cyberleek se vende como um movimento ativista defendendo os direitos do consumidor gamer, no qual o manifesto deles exige três coisas: nada de pré-venda digital antes de teste independente, nada de conteúdo adicional que já esteja nos arquivos do jogo, e modo offline garantido pra jogos solo.

O problema: os vídeos vazados vêm com marca d’água promovendo uma criptomoeda (memecoin), que já teria batido casa dos milhões em market cap. Tem gente apontando, inclusive, que a conta que está tuitando os leaks talvez nem seja o vazador original, e sim um promoter de cripto surfando na onda pra inflar o token.

Aí o “Robin Hood dos games” começa a parecer bem mais com um golpe de pump-and-dump fantasiado. UM leaker pode ser suspeito e o leak ser verdadeiro ao mesmo tempo; as duas coisas não se anulam. O material parece autêntico, mas o motivo por trás dele é bem mais oportunista do que heroico.