A discussão sobre a posse de jogos digitais atingiu um novo nível de tensão nos Estados Unidos. A Entertainment Software Association (ESA), que representa gigantes como Sony e Ubisoft, declarou que os usuários não possuem a propriedade dos títulos que compram. Essa afirmação surgiu como uma resposta direta ao projeto de lei AB-1921 na Califórnia.
Este projeto busca garantir que as empresas mantenham os jogos funcionando após o encerramento do suporte oficial. Caso contrário, as editoras precisariam devolver o dinheiro aos consumidores. No entanto, a ESA enviou uma carta aos legisladores pedindo a rejeição da proposta. A organização alega que o público apenas licencia o software em vez de comprá-lo como um bem físico.
O que a lei AB-1921 exige das empresas?
- Manutenção de acesso: Obriga a criação de modos offline ou servidores privados após o fim do suporte.
- Reembolso obrigatório: Exige a devolução do valor pago se o jogo se tornar inacessível.
- Transparência total: Força as lojas a deixarem claro que o usuário adquire apenas uma licença temporária.
- Preservação digital: Facilita que comunidades mantenham o legado de jogos antigos vivo.
O movimento ganhou força após a Ubisoft desativar o jogo The Crew em 2024. Milhares de jogadores perderam o acesso ao título de forma definitiva, mesmo tendo pago o preço total no lançamento. Dessa forma, a campanha “Stop Killing Games” começou a pressionar governos para criar leis de proteção ao consumidor.
Além disso, a ESA argumenta que manter infraestruturas de servidores para sempre é financeiramente inviável. Ela reforça que os contratos de licença (EULA) já explicam esses termos. Por outro lado, lojas como a GOG aproveitam o momento para destacar que vendem jogos sem proteção DRM. Assim, elas garantem que o comprador terá acesso ao arquivo para sempre.
Impacto na indústria de games
A decisão na Califórnia pode criar um precedente global para o mercado digital. Se a lei for aprovada, empresas como EA, Nintendo e Microsoft precisarão reformular seus modelos de negócios. Atualmente, a Sony também gera preocupação ao testar travas de tempo em bibliotecas digitais no PS4 e PS5.
A luta entre a preservação histórica e o lucro das corporações está longe de acabar. Enquanto os advogados discutem termos técnicos, os jogadores sentem o risco de ver suas coleções desaparecerem do dia para noite.
Será que é justo obrigar as empresas a manterem servidores ativos para sempre ou o mercado digital precisa de uma reforma completa na forma como vende seus produtos?








